Domingo, 6 de setembro de 2026
A cidade em foco
Memória entre Campo Grande e Berlim atravessa literatura, família e Guerra Fria
Foto: Acervo/Estadão
Cultura

Memória entre Campo Grande e Berlim atravessa literatura, família e Guerra Fria

Uma palestra em Campo Grande fez o escritor revisitar os anos em Berlim, a distância dos filhos e o encontro com a gastronomia regional.

A viagem para uma palestra em Campo Grande reabriu lembranças de diferentes fases da vida de um escritor. O convite veio de Henrique Medeiros, presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e de Theresa Hilcar, amiga com quem ele reencontrou uma cidade à qual está ligado desde os anos 1970/80.

Ao circular por Campo Grande ao lado de Henrique e Marcia, o escritor voltou também à Berlim onde morou nos anos 1980. Na época, havia se separado de Bia, sua primeira esposa, que se mudara para Mato Grosso com os filhos do casal, Daniel e André. Para falar com os meninos, juntava moedas e usava os orelhões da cidade alemã à noite. O fuso era de uma hora a menos, enquanto Campo Grande enfrentava o calor.

As conversas passavam pelas escolas, pelos jogos de futebol e pela casa na Rua da Paz. O endereço, que ficava em uma rua de terra, hoje está em um bairro de classe média alta e a antiga casa desapareceu. Entre as recordações, está o castigo aplicado aos alunos rebeldes: Daniel e André eram levados à biblioteca, onde permaneciam lendo.

A paisagem de Campo Grande, marcada pelo verde e por reservas preservadas do Cerrado, também apareceu como contraponto ao romance Não Verás País Nenhum, escrito quase na mesma época. A memória ainda levou ao período do Muro de Berlim, quando belvederes permitiam observar o “lado de lá” e os comunistas eram tratados como se estivessem em um zoológico. O escritor associa aquela cena às “loucuras da Guerra Fria” e aos acordos entre Kennedy e Kruchev.

Na semana passada, ele falou por duas horas para uma sala lotada, em um acordo entre a Academia Brasileira e a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Depois dos autógrafos, o grupo foi ao Território Ristorante, de Diogo Wendling, filho de Theresa. O restaurante abriu fora do horário para receber os convidados. Entre tortelli di ossobuco, entrecôte di angus alla griglia e risoto pantaneiro, a escolha ficou com o prato que reúne carne-seca, banana-da-terra, parmesão e pangrattato.

Texto produzido pela Redação Mosaico Vivo com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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