Domingo, 6 de setembro de 2026
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Romance de Rachel Cusk reacende debate sobre ficção e celebridades
Foto: Brian de Rivera Simon/Getty Images
Cultura

Romance de Rachel Cusk reacende debate sobre ficção e celebridades

Life of M apresenta uma atriz fictícia com traços associados a Natalie Portman e se junta à tradição do chamado biogossip.

O novo romance da escritora canadense-britânica Rachel Cusk apresenta uma atriz fictícia cujos traços remetem a Natalie Portman. Em Life of M, a personagem M é uma estrela mundial, leitora assídua e presença constante em campanhas publicitárias. A identificação ganha força quando a narrativa menciona uma infância afetada por um papel precoce em Hollywood e a consagração em um filme sobre uma bailarina obcecada pela perfeição.

Portman estreou aos 12 anos em O Profissional (1994), interpretando uma órfã acolhida por um assassino, e ganhou o Oscar em 2011 por Cisne Negro, no papel de uma bailarina que busca a perfeição. Outro elo entre atriz e personagem é a amizade real entre Portman e Cusk. No livro, porém, M aparece como uma mulher vazia, cínica e imatura, em contraste com a imagem pública que sustenta diante das câmeras.

Previsto para chegar ao Brasil em 2027 pela editora Todavia, Life of M é associado ao biogossip — termo que pode ser traduzido literalmente como biofofoca. A expressão descreve ficções com personagens claramente inspirados em pessoas reais, sobretudo celebridades. O gênero não se apresenta como biografia reveladora, e seus exemplos podem partir de experiências pessoais e de questões sobre os limites de escrever a respeito de quem está ao redor.

Uma tradição literária de referências reconhecíveis

Um dos casos mais conhecidos é O Diabo Veste Prada, publicado em 2003 por Lauren Weisberger, que trabalhou na revista Vogue americana. A obra foi associada à editora-chefe Anna Wintour e também inspirou o filme com Meryl Streep no papel da chefe. Wintour se irritou com a publicação e com a adaptação, mas hoje leva a situação na esportiva e endossou a sequência do longa.

Em 2018, Lisa Halliday publicou Assimetria, romance sobre uma jovem assistente envolvida com um escritor muito mais velho. A trama revelou a relação da autora com Philip Roth: ela tinha 20 e poucos anos, enquanto ele beirava os 70. Antes disso, Orlando, de 1928, já havia sido associado à poeta Vita Sackville-West, ex de Virginia Woolf.

Natalie Portman não comentou o assunto publicamente, mas amigos dizem que ela ficou furiosa. A atriz havia escolhido Segunda Casa (2021) e Desfile (2024), de Cusk, para seu clube do livro e participado de um debate com a escritora.

A motivação pessoal de Cusk para criar M não é conhecida. Literariamente, a personagem se conecta ao projeto iniciado pela autora em 2014, com a trilogia Esboço: questionar padrões da escrita e mostrar pessoas como seres humanos triviais. Em Life of M, essa perspectiva chega ao universo das celebridades, representado por uma protagonista tão comum que nem tem um nome definido.

Texto produzido pela Redação Mosaico Vivo com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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