SÃO PAULO — Artistas de rua que se apresentam aos domingos na Avenida Paulista não podem mais usar fontes externas de energia para amplificar instrumentos e caixas de som. A regra da Prefeitura vale desde o mês passado e proíbe geradores, baterias e ligações elétricas puxadas de estabelecimentos comerciais ou residências pelas ruas.
A medida integra os parâmetros de limite de ruído do programa Ruas Abertas e busca conciliar a livre manifestação artística com as regras para a via. Quem descumprir a determinação pode receber uma advertência, ser obrigado a interromper o show e ter os equipamentos apreendidos. Instrumentos musicais ficam de fora, e não há previsão de multa em dinheiro.
Uma apresentação sem som espalhado
A banda Little Beast encontrou uma alternativa: shows silenciosos. Os instrumentos são conectados a uma interface de áudio, que distribui o sinal para fones usados pelos músicos e pelo público. Duas estruturas de metal sustentam dezenas de fones coloridos enquanto baixista, guitarrista, gaitista, cantora e baterista tocam sem emitir som para quem passa pela avenida.
José Ricardo Martins, baterista da banda Mentiras Sinceras e cofundador da Little Beast, resumiu a situação: “Nunca pensei que para ficar famoso eu precisava tocar no silêncio”.
A ideia surgiu depois da mudança nas regras, segundo Guilherme Eberhardt, também cofundador do projeto. A equipe comprou os fones, colocou os equipamentos em uma Towner de 1995 e levou o formato para a rua. No primeiro fim de semana de apresentações, a proposta viralizou nas redes sociais e recebeu elogios de fiscais da Prefeitura.
Público se aproxima para ouvir
As pessoas costumam observar a banda de longe, pegar um fone para entender a proposta e acompanhar algumas músicas. Como os ouvintes ficam por poucos minutos ou por parte da apresentação, os fones circulam entre famílias e outros pedestres.
A analista de projetos Caroline Colombo, de 45 anos, foi atraída pela curiosidade e aprovou a experiência. O administrador Luciano Conde, de 51 anos, participou da apresentação e comparou o formato com outras vivências que encontrou em São Paulo. Ele é do Recife.
Também houve quem preferisse ouvir a música sem fones. Marcelo Costa, da área de TI, de 41 anos, disse gostar mais da experiência caótica da Paulista. O analista de sistemas Vinicius Marconsini, de 30 anos, acompanhou o show com a filha, mas afirmou que gostaria de ouvir a banda ao vivo.
A Little Beast pretende reunir bandas e estilos diferentes. O coletivo também grava as apresentações e disponibiliza parte do material mixado para os músicos.





