Domingo, 6 de setembro de 2026
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Teste imunocromatográfico acelera detecção de superbactérias em UTIs
Foto: Tonaquatic/Adobe Stock
Brasil

Teste imunocromatográfico acelera detecção de superbactérias em UTIs

Método identifica carbapenemases em média em 6,5 horas e pode reduzir o tempo de precaução de contato em hospitais.

Um teste imunocromatográfico pode reduzir de 66 horas para 6,5 horas o tempo médio de identificação de pacientes colonizados por bactérias resistentes a antibióticos em UTIs. A estratégia foi avaliada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do HCFMUSP.

A presença dessas bactérias no intestino nem sempre provoca sintomas. Em uma Unidade de Terapia Intensiva, porém, os microrganismos podem ser transmitidos a outros pacientes e causar infecções de difícil tratamento.

Resultado mais rápido

Hoje, o método tradicional é a cultura de uma amostra coletada com swab retal. No laboratório, as bactérias precisam crescer para que a presença de microrganismos resistentes seja detectada. O resultado leva, em média, 66 horas.

Enquanto aguardam, os pacientes permanecem sob precaução de contato. Profissionais precisam usar equipamentos de proteção, como aventais e luvas, durante o atendimento. Quando o resultado é negativo, esses materiais podem ter sido usados por mais tempo que o necessário.

O estudo foi realizado em duas UTIs cirúrgicas do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Em uma delas, os pesquisadores adotaram o teste imunocromatográfico, conhecido como ICT, para identificar bactérias produtoras de carbapenemases. Essas enzimas conseguem inativar antibióticos importantes.

O exame funciona com uma fita que indica o resultado, de forma semelhante aos testes rápidos de gravidez ou covid-19. Antes disso, uma amostra fecal é coletada com swab retal e permanece por seis horas em um caldo que favorece a multiplicação das bactérias e aumenta a quantidade das enzimas procuradas. Depois, o material é processado e aplicado ao teste.

“Na validação, o tempo médio foi de 6,5 horas”, afirma o infectologista Matias Chiarastelli Salomão, professor colaborador da FMUSP e um dos autores do estudo. O período é contado a partir da chegada da amostra ao laboratório e pode variar conforme o transporte e o horário de funcionamento do local.

O ICT detecta cinco das principais carbapenemases: KPC, NDM, OXA-48, VIM e IMP. Na rotina hospitalar, apresentou 91% de sensibilidade e 99% de especificidade.

Comparação entre os métodos

A cultura continua sendo a alternativa de menor custo entre as avaliadas. Em uma UTI de 100 leitos, a estimativa foi de cerca de US$ 1.607 por semana, mas com espera de aproximadamente 66 horas pelo resultado.

O ICT teve custo estimado de US$ 2.916 por semana em uma UTI de 100 leitos. O método não depende dos equipamentos sofisticados exigidos por exames moleculares, como o PCR.

Já o PCR foi o método mais rápido e apresentou 95% de sensibilidade e 95% de especificidade. Por outro lado, exige equipamentos específicos e teve custo estimado de US$ 4.588 por semana para uma UTI de 100 leitos.

Os pesquisadores ressaltam que a proposta do ICT não é substituir a cultura ou o PCR. A função seria oferecer uma alternativa mais rápida que a cultura para instituições sem estrutura de biologia molecular. “A importância do ICT é justamente permitir que instituições com menor infraestrutura também possam dispor de uma estratégia rápida para detecção de carbapenemases”, diz Salomão.

Possível redução de gastos

Na UTI que utilizou o ICT, o tempo para retirar pacientes não colonizados da precaução de contato caiu de 47 para 23 horas. A mudança reduz o período de uso desnecessário de aventais e luvas.

Em uma projeção para uma UTI de 100 leitos, o teste poderia evitar cerca de 73 dias de precaução desnecessária por semana, considerando diferentes pacientes. Ao incluir os gastos com essas medidas, as estratégias rápidas poderiam gerar economia de US$ 2,4 mil a US$ 3,9 mil por semana, dependendo do método e da proporção de pacientes colonizados.

Os pesquisadores afirmam que o impacto financeiro pode variar entre as instituições. Os cálculos foram baseados nos custos e na epidemiologia de um hospital específico, e os valores precisam ser recalculados de acordo com a realidade de cada local.

Texto produzido pela Redação Mosaico Vivo com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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